GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
Em sabatina na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu nesta segunda-feira a limitação de partidos "nanicos" que, na opinião do tucano, servem para apresentar candidatos "paranóicos" ou "legendas de aluguel" nas eleições.
Serra sugeriu que a OAB elabore proposta para reduzir a atuação dos "nanicos", com uma espécie de cláusula de barreira para essas legendas.
"Além de reduzir custos, tem que ser encontrada fórmula legal de forçar a existência de debates, o que pressupõe medidas para limitar a representação de partidos nanicos sem a menor representatividade ou corrente de opinião, muitas vezes para a apresentação de candidatos paranóicos ou legendas de aluguel."
Ao defender o voto distrital misto ou em lista, Serra disse que a mudança vai reduzir custos das campanhas para que os candidatos se mostrem efetivamente como são. "Permite-se mascarar os candidatos como se fosse iogurte, sabonete, como se fosse produto novo. Tudo passa a ser maquiado. Não defendo a supressão do horário eleitoral, mas que os candidatos se apresentem tal como são."
O tema da sabatina na OAB é reforma política. Além de Serra, serão sabatinados Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). A candidata Dilma Rousseff (PT) recusou o convite.
Serra prometeu, se eleito, encaminhar ao Congresso uma reforma "fatiada" para que propostas polêmicas sejam analisadas separadamente até 2012.
"No sistema distrital, o candidato vai disputar a eleição em sistema restrito. Argumenta-se contra a lista partidária no sentido de que a lista cristalizaria oligarquias partidárias. Mas é preciso comparar com o que são os partidos hoje, que não são diferentes disso."
Apesar das resistências do Congresso à reforma, Serra disse acreditar na sua aprovação ao defender a implantação do voto distrital puro nos municípios onde há segundo turno --com mais de 200 mil eleitores.
O tucano disse ser contrário à obrigatoriedade do voto e à reeleição. "Acho que vai ser mais saudável para o Brasil. Mas nenhum desses pontos para mim é programa de governo."
Serra também criticou o financiamento público de campanhas eleitorais. "Não funciona, seria uma frustração. Defendo a contribuição para os partidos."
O candidato se mostrou contra a figura de "vices" na política, incluindo o vice-presidente da República. "O vice é uma coisa que vem do passado. O vice hoje é para composição política. Muitas vezes soma ao contrário."
Depois da afirmação, Serra ficou constrangido ao perceber que estava sentado ao lado do vice-presidente da OAB, Alberto de Paula Machado --e arrancou risos dos advogados.
Matéria publicada na Folha de São Paulo em 13/09/2010
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